Imagens da Freguesia
Património

Pelourinho
De entre os símbolos de poder local poucos serão tão emblemáticos quanto o Pelourinho. Além de distintivo da autonomia administrativa concelhia, afirma a jurisdição judicial, representando normalmente as justiças municipais. O Pelourinho não esgota a sua função ao nível simbólico, constitui durante séculos o sustentáculo e cenário da execução de Justiça municipal, é a sua sombra e nos seus degraus que se executam diversas penas e castigos. O Pelourinho pela sua forma, implantação e significado bem pode ser considerado o eixo da vida concelhia.

Em todos os Concelhos, em que existam estes marcos do património histórico, eles ocupam um espaço dominante na praça central, da povoação antiga, normalmente rodeado de outros emblemas de poder local: a Igreja, a Câmara, ou mesmo (como no caso de Atouguia) o Castelo.

Rodeados de uma necessária encenação proporcionada pela expressão arquitectónico-artística, os Pelourinhos desenvolvem-se na altura, sobre degraus, alteando-os sobre os munícipes , proporcionando um palco para a execução de algumas justiças , e afirmando sobranceiramente a autonomia local. A decoração apresentada pelos Pelourinhos reflecte as épocas da sua construção, no seu gosto e atitudes, permitindo diferentes formas e características e estas estruturas, desde os Pelourinhos Românicos , passando pelos Manuelinos (Gaiola), chegando mesmo aos Neoclássicos. São elementos usuais em qualquer Pelourinho: os degraus, a coluna (singela, torsa ou canelada, decorada ou não) e o remate, assente no capitel, além do gosto da época, exprimia a heráldica dominante (do Rei ou do Senhor).

A actual freguesia de Atouguia da Baleia tem a felicidade de contar com um belo exemplar de Pelourinho Manuelino, herança de um passado de autonomia e pujança económica, social e politica. A extinção do Concelho de Atouguia da Baleia em 1836, que transportou para Peniche a sede administrativa da região deixou para trás este marco histórico fundamental.

Este Pelourinho não se limita a existir e agradar esteticamente; situado no seu local original, rodeado pela Igreja de São Leonardo, pela sede da actual Junta de Freguesia e pelo que resta do castelo de Atouguia, ele fala-nos do gosto do séc. XVI que o erigiu ao estilo Manuelino, com base de três degraus, capitel facetado, coluna decorada e coroada em pinha, pelas armas heráldicas dos Condes de Atouguia, das quais já apenas resta memória de terem sido picadas após a tentativa de assassinato de D. José em 1758.

De facto trata-se de um eloquente testemunho da importância desta estrutura arquitectónica e do seu valor simbólico do poder dos Ataídes, que o Marquês de Pombal pretendeu eliminar mandando picar todas as suas representações heráldicas, e apagando com a maior eficácia essa memória do nosso Pelourinho.

O papel do Pelourinho de Atouguia como eixo da vida local não se extinguiu no século XVIII, com o desaparecimento dos poderosos Condes de Atouguia, de facto o Pelourinho não constituía apenas um símbolo do poder (Real ou Senhorial), e continuou a funcionar como símbolo das justiças e actividade municipal, era aí que se desenrolavam os pregões oficiais, era também aí que se leiloavam e arrematavam rendas e propriedades, e que faziam deste Pelourinho fulcro e cenário da vitalidade municipal e parte integrante da vida diária dos munícipes, nos seus actos mais solenes.
A simbologia de Pelourinho é ainda tão forte nos nossos dias que levou à construção de algo semelhante, junto ao edifício da Câmara de Peniche, procurando evocar o que havia sido apeado em finais do séc. XIX por embaraçar o trânsito. Felizmente o trânsito em Atouguia era menos intenso e a memória, beleza e identidade


Fonte: IHRU
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